sexta-feira, setembro 30, 2005

O meu surrealismo ocupa-se de não me realizar.
Ocupo-me de negação.
Estendo-me na prancha de tubarões afiados, e olho um sol escuro por dentro.
Inaudível, impalpável. Intudo.

Falo de dias gerais, outra vez.

Porquê falar todas as vezes em particular de dias? Porque eles não falam de mim. Reciprocidade sazonalmente soalheira e sempre falsa, de escuridão.. Este falar é escuridão porque não é falar. O outro é escuridão por nunca ser.

Mas agora com uma distância tumular pacífica. Um mundo dentro do transparente por fora, cintilante universal. Aromático vazio nariz. Um entupido muito mais desengasgado inestático estético. Profetas cegos, divinos como a Lei manda. Regimento por redigir, encarnado morto, cá. Claro.

Escuridão pacífica oceânica elementar a olho nú. O desfoque do enfoque escuro, sublime vaga neutra nula desazulada contemporânea intemporal escuridão.

Aquilo que está por conter. Criança num parto mudo pardo por rebentar. Adocicado espesso amargo sem chocolate. O vice da conversa, o verso, a alma, sangue. Sangue. Sangue. Sangue. Transparente. Sempre, tudo, e até inclusive.

Por causa das flores que não murcham nem desabrocham, e ficam a olhar no canto de uma janela, transparente, duma estufa regelada de inadequação.

Tudo meramente escuridão pragmático. Quase escuridão sorridente. Uma escuridão sempre quase.

Quase.
Tactear sem ver a escuridão.
Quase.
Ver sem tactear a escuridão.
Quase.
Escuridão. Escuridão. Reflexo de escuridão no espelho escuro sem tema.

Uma folha escura sem página de escuridão.

Possuída quase. Possuam-me quase. Quase aqui, na escuridão.

domingo, setembro 11, 2005

Um patamar insólito abre-me a visão.
Avalanche de portas.
Um colchão:
Palavras, palavras, suspiros, escapes gelatinosos, e palavras, palavras.
Atrás de palavras, palavras.
A colherada, enquanto tremem felizes. Cintilantes no céu da boca do Inferno.
Do infernal... Geografias, para fora, xô xô, chicotada.
Queremos nhac nhac.
Preferimos todos ficar, fora de um "aqui".
Permanhecer pela alvorada nocturna invisível poeirenta.
Pó de ouro.
Algemas de ovo.


dedicado a Abade Fatia, um Pioneiro do impúdico equívoco sem margem de erro, um Mestre